"Para mim a arquitetura não é o mais importante. Importantes são as famílias, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar". Oscar Niemeyer. Violência: palavra que se desdobra em vários aspectos do nosso dia a dia. Em alguns casos não lhe damos importância, por estar distante da nossa realidade. Por exemplo: a invasão norte-americana ao Iraque e o massacre da população civil, incluindo crianças, talvez incomode as nossas retinas quando assistimos o noticiário do assassinato da missionária Dorothy Stang, 73, em Anapu (PA), pela TV, mas é só. No entanto, é violência e barbárie: uma criança que morre de fome a cada cinco segundos, de acordo com relatório da FAO. Quanto ao que nos afeta mais diretamente, que está mais próximo de nós, podemos relacionar alguns itens, como por exemplo: o descaso com a saúde pública, onde quase todos os hospitais da rede pública estão em estado precário, sem remédios, leitos e profissionais para o atendimento. Isso também é violência! A corrupção é uma outra face da violência. O que falta de recursos para as mais variadas necessidades da população, sobra nas contas dos bancos em paraísos fiscais (Veja CPI do Banestado). Ela está infiltrada em todas as esferas de poder. Outro dia lemos, sem muita surpresa, que um piloto de helicóptero do governo do Estado era segurança de um perigoso traficante. E olha que este é bagrinho! Imaginemos os peixes grandes, os tubarões... Mas o mais próximo de nós, o que mais afeta e assusta é a violência urbana: assaltos, seqüestros relâmpagos, roubo de carros, assassinatos. Não podemos achar que a violência eu ma coisa normal e deixar que ela degenere para a banalidade. Hoje, o medo da sociedade não é ilusório nem fruto de manipulação midiática. O quadro nacional da insegurança é de extraordinária gravidade, por diferentes razões. Devem ser destacadas: a magnitude das taxas de criminalidade e a intensidade da violência envolvida; a exclusão, em diversas áreas pobres de nossas grandes cidades, que permanecem sem acesso aos benefícios mais elementares proporcionados pelo Estado Democrático de Direito, como liberdade de expressão e organização, e o direito trivial de ir e vir. Segmentos expressivos da população brasileira permanecem submetidos à dupla tirania, imposta por criminosos armados e por grupos de policiais corruptos e violentos. O crime se organiza, isto é, penetra cada vez mais fundo e de modo mais orgânico nas instituições públicas; as polícias se deixam invadir, em escala assustadora, pela corrupção, pela promiscuidade com o crime; as práticas policiais continuam marcadas pelo racismo, pelos estigmas de classe, pelos preconceitos contra as minorias sexuais e pela brutalidade. Em vários estados, a matriz da violência é o tráfico de armas e drogas. A dinâmica do comércio ilegal atacadista é acionada, sobretudo por criminosos de "colarinho branco", capazes de lavar dinheiro com habilidade de profissionais das finanças ilegais. Esses permanecem impunes, imunes às ações repressivas e ao foco investigativo das polícias estaduais, cuja obsessão unilateral tem sido o varejo, nas favelas, vilas e periferias Nas áreas pobres em que o comércio varejista se instala, morrem os meninos em confrontos entre grupos rivais ou com policiais. Precisamos reagir e cobrar soluções por parte das autoridades. E o papel delas oferecer segurança para a população, como ação preventiva. Evilázio Ribeiro |